Entrada Franca
De 7 a 10 de Abril
no kartódromo municipal

# DanadodeBom

Danado de Bom homenageia nordestinos-cubatenses nesta quinta-feira (31)

Exemplos de persistência e determinação, seis pessoas no Município ou que escolheram a Cidade para viver representam a força e a cultura do Nordeste
 
Um empresário. Uma cozinheira de mão cheia. Um vendedor de água de coco. Um artista que se encontrou nos palcos. Um dançarino que conquistou seu espaço ensinando forró fora do Brasil. E uma comerciante que se revelou uma verdadeira líder comunitária. Cinco deles saíram do Nordeste na juventude e chegaram a Cubatão imbuídos do sonho de vencer. Um descobriu fora do Brasil a magia da cultura nordestina e hoje a dissemina por toda a Europa por meio da dança.

São essas seis pessoas que ajudaram a Cidade a crescer e que também contribuíram para o seu desenvolvimento e seu reconhecimento que este ano serão homenageadas durante o Festival da Cultura Nordestina Cubatão Danado de Bom. O evento será realizado de 7 a 10 de abril, no Kartódromo Municipal.

Desta vez, os homenageados serão o cearense Adriano de Souza Taveira, o cubatense André Serapião, a pernambucana Maria Francisca da Silva Lima - carinhosamente chamada de Dona Pequena -, o baiano João de Deus Santana - conhecido como João do Coco -, o piauiense Lourimar Vieira e a pernambucana Josinete Lica da Silva - a Neta do Bolsão 8. Todos serão recebidos pela prefeita Marcia Rosa para uma solenidade no gabinete da Prefeitura nesta quinta-feira, às 15 horas.

Adriano Sanfoneiro - Adriano de Souza Taveira chegou a Cubatão aos 18 anos, em 1987. Nascido em Morada Nova, Ceará, o jovem tinha um objetivo claro em mente: trabalhar, juntar dinheiro e voltar para a terra natal para comprar uma sanfona. Inicialmente, a ideia era ficar um ano em Cubatão. Mas os planos mudaram e lá se vão quase três décadas vivendo na Cidade.

Esse cearense que será homenageado no Cubatão Danado de Bom tem uma história de vida bem sucedida: depois de trabalhar em várias indústrias do polo petroquímico, como Usiminas e Petrobras, Adriano montou o próprio negócio e hoje é dono de uma das maiores firmas de locação de andaimes do Município.

Nesse tempo de muito trabalho, constituiu família, tornou-se pai de seis filhos e, como faz questão de ressaltar, nunca abandonou a música. Nesses quase 30 anos, criou o Trio Asa Branca e Forró Sanfonado, bandas de grande sucesso em toda a Baixada Santista. As lembranças do jovem Adriano que levava seu forró de raiz às festas tradicionais nas imediações de Morada Nova sobrevivem no homem que hoje participa de importantes festas em Cubatão e região, com sua sanfona, ao lado do filho, Adrianinho do Acordeom, a quem ensinou o ofício musical.
André Serapião - Nascido em Cubatão, Carlos André Serapião de Souza, hoje com 40 anos, passou a infância na Cidade. Em 1998, aos 22 anos, viajou para a Europa, onde acabou se apaixonando pela cultura nordestina por meio da música e da dança. "Comecei a dançar forró desde novo, em São Paulo, na época do forró universitário, em 1996", conta André. "Porém, já conhecia o ritmo, pois meu avô tocava sanfona e meu pai sempre ouviu de tudo. Forró e samba estavam presentes na minha vida".

Os avós paternos, nascidos na Bahia, foram os responsáveis pelo contato inicial de André com a cultura nordestina. Mas a ligação com a música e a dança daquela região do País se intensificou com a ida para a Europa. "Depois de sair do Brasil, entrei em contato com vários ritmos, como maracatu, capoeira cavalo marinho e frevo".

André se mudou para Londres - onde reside até hoje - e em 2005 começou a dar aulas de forró. Atualmente, o cubatense ministra aulas em Londres e Oxford e é organizador do Festival de Forró de Londres, que atrai mais de 600 dançarinos e músicos de todo o mundo durante quatro dias, com workshops para todos os níveis de dançarinos. André também realiza oficinas de forró na Alemanha, Noruega, França e Rússia. Além de disseminar a cultura nordestina em outros países, André também usa a dança e o forró em projetos sociais voltados para crianças e adolescentes que vivem em áreas de vulnerabilidade social, desenvolvendo o projeto em sua cidade natal.

Dona Pequena - Maria Francisca da Silva Lima, ou Dona Pequena, como é carinhosamente chamada, nasceu na cidade de Bezerros, em Pernambuco, município famoso por seu carnaval e os papangus mascarados que desfilam nos dias de folia. Desde criança, trabalhou na roça, carpindo, fazendo carvão e cuidando das criações. Aos 23 anos de idade, dona Pequena embarcou com o marido em uma Brasília amarela com destino a Cubatão. "Foram três dias de estrada, dormindo no banco do carro", lembra a pernambucana. "Mas foi uma viagem que valeu a pena".

Ao chegar ao Município, dona Pequena e o marido moraram na Rua Espanha, no Jardim Casqueiro. Pouco tempo depois, mudaram-se para o Pinheiro do Miranda, onde vivem até hoje. E já são 32 anos em Cubatão. Seu marido, Severino, trabalhou por algum tempo nas indústrias do polo industrial e decidiu, ao mesmo tempo, montar um bar que se tornou um ponto de referência do Pinheiro do Miranda. E foi ali que Dona Pequena se descobriu uma exímia cozinheira. Ao preparar as refeições inspiradas na culinária nordestina, conseguiu fregueses fiéis que se deslocam de bairros distantes só para saborear receitas especiais, como o feijão de corda e a farofa de tanajura ou farofa de içá, feita com a formiga. A cozinheira, que adora trabalhar, afirma que nunca tirou férias. "Encontrei em Cubatão o lugar de acolhimento e que valorizou meu trabalho".

João do Coco - João de Deus Santana, conhecido como João do Coco, é um dos vendedores ambulantes mais antigos de Cubatão. Seu ganha-pão fica em frente à Igreja Matriz há 42 anos. Começou trabalhando vendendo pipoca, mas, depois, "para diversificar o negócio", como costuma dizer, decidiu vender coco gelado. O tino para o comércio vem de menino. Natural da cidade de Cipó, na Bahia, João trabalhava na lavoura e aos 16 anos decidiu deixar a casa dos pais. "Vim para Cubatão, em 1969, procurar emprego e encontrar o irmão mais velho que já estava no Município há algum tempo".

Ao chegar, foi servente da Santa Casa de Santos e trabalhou em algumas indústrias do polo industrial de Cubatão, mas não se adaptou. Aos 20 anos, já vendia pipoca no mesmo local onde está o carrinho de coco. "Atendia uma boa clientela no local, já que, na época, a Prefeitura ainda funcionava onde hoje é o prédio da Biblioteca Municipal", lembra João. Aos 63 anos de idade, grande parte dos quais dedicada ao trabalho, o sonho de João do Coco ainda é voltar para a terra natal e lá comprar uma casinha.

Lourimar Vieira - Natural de Oeiras, Piauí, Lourimar mudou-se para Cubatão aos 13 anos de idade, em 1979. Conheceu o teatro ainda adolescente, na escola, quando se encantou pela arte e descobriu que este seria seu ofício de coração. No início dos anos 80, participou de sua primeira peça teatral, a Encenação da Paixão de Cristo. Na época, o ator lembra que Cubatão não tinha companhia de teatro, somente o Cotac, que realizava esse espetáculo anual. Depois, especializou-se, fez cursos na área e em 1984 estreou a primeira obra, Aurora da minha vida. Mas foi um ano depois que tudo mudou. Ao participar da montagem Bailei na curva, Lourimar despontou para o mundo do teatro. Ganhou inúmeros festivais pelo seu desempenho e viajou com a peça por três anos. "Foi a melhor escola que pude ter".

No retorno para Cubatão, ajudou a criar a primeira companhia teatral do Município, Magia da Cidade, que durou até 1996. No ano seguinte, fundou o Teatro do Kaos, no Largo do Sapo (1997). Em 2004, restaurou o local. Em 2005, colocou uma lona de circo no espaço que serviu por algum tempo como o único espaço teatral do Município. E, em 2008, deu início ao projeto de construção do teatro que, aos poucos, foi ganhando plateia e palco.

Lourimar é o idealizador do espetáculo Caminhos da Independência, que reconta a passagem de Dom Pedro I por Cubatão pouco antes de proclamar a Independência às margens do Rio Ipiranga. Para a encenação, trouxe atores do calibre de Alexandre Borges, Gabriel Braga Nunes, Carlos Casagrande, Alexandre Barillari, Daniel Saulo, Marco Antonio Gimenez, Gustavo Leão, Júlio Rocha, Vitor Branco. O artista também é responsável pela criação de projetos socioculturais de formação em teatro, como o "Superação", patrocinado pela Petrobras, que formou 30 jovens, e agora, o Ação Cênica, em parceria com a Prefeitura, pelo qual mais de 100 jovens receberão formação em teatro.

Neta do Bolsão 8 - Josinete Lica da Silva. A pernambucana da cidade de Prazeres chegou a Cubatão em 1980 para viver com o pai que já era morador do Município. Veio sozinha, aos 18 anos, para tentar uma vida melhor, como milhares de outros imigrantes nordestinos que adotaram Cubatão como cidade do coração. Trabalhou nas empresas do polo industrial por muitos anos. Casou-se em 1982 e se mudou da Vila Parisi, onde vivia, para o Jardim Nova República.

Em 1986, Neta decidiu construir um pequeno comércio na frente de sua casa, na Rua Lourenço Batista de Araújo, conhecida como Rua 6, onde vendia doces. Algum tempo depois, o negócio passou a oferecer outros atrativos, como cerveja, salgados e petiscos, tornando-se referência no bairro. Dona de grande poder de relacionamento com a comunidade, Neta ajudou a construir a ideia da quermesse junina no bairro, há 20 anos. Desde então, a comunidade se mobiliza e realiza em conjunto com os comerciantes locais a festa, que une música e gastronomia.

A quarta edição do Danado de Bom tem patrocínio da Elog; apoio da Unipar Carbocloro; parceria da Associação Comercial e Industrial de Cubatão (ACIC), Ciesp Cubatão E Santos e Região Convention & Visitors Bureau e realização da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal, Prefeitura Municipal de Cubatão e Associação dos Artistas.